Ruth Cardoso
Ruth Cardoso | |
|---|---|
Ruth Cardoso em 2008. | |
| 34.ª Primeira-dama do Brasil | |
| Período | 1.º de janeiro de 1995 até 1.º de janeiro de 2003 |
| Presidente | Fernando Henrique Cardoso |
| Antecessor(a) | Rosane Collor |
| Sucessor(a) | Marisa Letícia Lula da Silva |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Ruth Correia Leite Cardoso |
| Nascimento | 19 de setembro de 1930 Araraquara, São Paulo |
| Morte | 24 de junho de 2008 (77 anos) São Paulo, São Paulo |
| Nacionalidade | brasileira |
| Alma mater | Universidade de São Paulo |
| Cônjuge | Fernando Henrique Cardoso (1953–2008) |
| Filhos(as) | 3 |
| Ocupação | Antropóloga, professora universitária, pesquisadora e ativista social |
Ruth Correia Leite Cardoso[nota 1] (Araraquara, 19 de setembro de 1930 – São Paulo, 24 de junho de 2008) foi uma antropóloga, professora universitária, pesquisadora, cientista social e ativista social brasileira. Professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e de instituições acadêmicas brasileiras e estrangeiras, destacou-se por seus estudos sobre imigração japonesa no Brasil, mobilidade social, antropologia urbana, movimentos sociais, participação política, juventude, feminismo, sociedade civil e relações entre Estado e organizações sociais.[1][2][3][4]
Casada com o sociólogo e político Fernando Henrique Cardoso, 34.º presidente do Brasil, foi primeira-dama do Brasil entre 1.º de janeiro de 1995 e 1.º de janeiro de 2003, durante os dois mandatos presidenciais do marido. Nesse período, presidiu o Conselho do Programa Comunidade Solidária, iniciativa vinculada à Presidência da República que buscou articular governo federal, estados, municípios, universidades, empresas e organizações da sociedade civil em ações de combate à pobreza e à exclusão social.[5][6][7]
Sua produção intelectual é considerada relevante para a formação da antropologia urbana e da antropologia política no Brasil. Pesquisadores como Guita Grin Debert, Maria Filomena Gregori, Simone Coelho, Gilberto Velho, Adrian Gurza Lavalle e José Szwako destacaram sua contribuição para o estudo dos movimentos sociais, da sociedade civil e dos processos de institucionalização da participação política.[8][9][10]
Depois de deixar a condição de primeira-dama, presidiu a Comunitas e continuou atuando em conselhos, conferências e iniciativas nacionais e internacionais ligadas à sociedade civil, desenvolvimento social, educação, juventude e terceiro setor.[11][12][13]
Primeiros anos e família
[editar | editar código]Ruth nasceu em Araraquara, no interior do estado de São Paulo, em 19 de setembro de 1930. A documentação de seu arquivo pessoal, preservado pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, registra sua trajetória familiar, acadêmica e pública entre 1930 e 2008, reunindo mais de cinco mil itens textuais, iconográficos, audiovisuais e objetos.[1][14]
Sua infância transcorreu em Araraquara, cidade à qual permaneceu ligada afetivamente ao longo da vida. Estudou no Grupo Escolar Antônio Joaquim de Carvalho entre 1939 e 1941, cursou o Ginásio Estadual de Araraquara entre 1942 e 1945 e foi oradora de sua turma. Entre 1946 e 1949, estudou no Colégio Des Oiseaux, em São Paulo.[3][15]
Em 1950, ingressou no curso de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Na USP, conheceu Fernando Henrique Cardoso, então também estudante de Ciências Sociais. Os dois se casaram em 1953 e tiveram três filhos: Paulo Henrique, Luciana e Beatriz.[2][15][4]
O casamento com Fernando Henrique Cardoso uniu duas trajetórias intelectuais e públicas que, embora próximas, conservaram identidades próprias. Ruth manteve carreira acadêmica autônoma, com pesquisas, docência, orientações e publicações próprias, mesmo nos períodos em que a carreira política do marido se tornou dominante na vida pública brasileira.[16][17]
Formação acadêmica
[editar | editar código]Ruth concluiu o bacharelado e a licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo em 1952. Sua formação ocorreu em momento de consolidação das ciências sociais no Brasil, em ambiente marcado pela presença de professores estrangeiros, pela institucionalização da sociologia e da antropologia e pela expansão de pesquisas empíricas sobre mudança social, urbanização, imigração e estrutura de classes.[3][8]
Em 1959, obteve o mestrado em Sociologia com a dissertação O papel das associações juvenis na aculturação dos japoneses, publicada na Revista de Antropologia. O estudo analisou o papel das associações juvenis nipo-brasileiras na mediação entre gerações, na adaptação cultural e na integração dos descendentes de imigrantes japoneses à sociedade brasileira.[18][19]
A dissertação de 1959 antecipou traços recorrentes em sua produção: atenção às redes associativas, às mudanças geracionais, à vida urbana, à mobilidade social e à forma como grupos sociais constroem estratégias de integração sem simplesmente abandonar identidades e práticas anteriores.[18][19]
Em 1963, publicou o artigo “O agricultor e o profissional liberal entre os japoneses no Brasil”, também na Revista de Antropologia. Nele, abordou diferenças ocupacionais e trajetórias de mobilidade entre imigrantes japoneses e seus descendentes, relacionando organização familiar, educação, trabalho e inserção social.[20][9]
Em 1972, concluiu o doutorado em Ciências Sociais, com especialização em Antropologia Social, na USP, com a tese Estrutura familiar e mobilidade social: estudo dos japoneses no Estado de São Paulo, orientada por Eunice Ribeiro Durham. O trabalho consolidou sua investigação sobre imigração japonesa, família, diferenciação econômica e mobilidade social.[21][3][19]
A tese foi posteriormente publicada em edição bilíngue, com organização e versão de Masato Ninomiya, e permaneceu como referência nos estudos sobre imigração japonesa em São Paulo.[22][23]
Exílio, circulação internacional e retorno ao Brasil
[editar | editar código]Após o golpe militar de 1964, Fernando Henrique Cardoso deixou o Brasil, e Ruth viveu com o marido e os filhos no Chile e na França. A experiência do exílio interrompeu a vida universitária no Brasil, mas ampliou sua circulação intelectual na América Latina e na Europa.[24][17][16]
No Chile, Ruth atuou na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso/Unesco) e na Universidade do Chile, em Santiago, entre 1965 e 1967. Também desenvolveu atividades acadêmicas na França, em contato com a Maison des Sciences de l’Homme, em Paris.[3][4]
O retorno ao Brasil ocorreu em contexto de endurecimento do regime militar. Depois do Ato Institucional Número Cinco, professores e pesquisadores foram afastados de universidades públicas, e um grupo de intelectuais criou o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Ruth integrou o ambiente de formação do Cebrap, que se tornou um dos centros independentes de pesquisa social mais importantes do país durante a ditadura.[25][26][8]
Carreira acadêmica
[editar | editar código]Universidade de São Paulo
[editar | editar código]Na Universidade de São Paulo, Ruth atuou como docente e pesquisadora do Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Participou da formação de estudantes de graduação e pós-graduação, coordenou atividades acadêmicas e integrou comissões e grupos de pesquisa em antropologia, ciência política e ciências sociais.[3][25]
Entre 1975 e 1978, coordenou a pós-graduação em Ciência Política da USP. Em 1986, recebeu o título de professora associada emérita do Departamento de Ciências Sociais.[3][4]
Sua atuação docente foi lembrada por ex-alunos como exigente, generosa e intelectualmente aberta. Teresa Pires do Rio Caldeira destacou sua capacidade de perceber fenômenos sociais emergentes e incentivar pesquisas sobre temas ainda pouco reconhecidos pela academia.[16][8]
Cebrap
[editar | editar código]No Cebrap, Ruth desenvolveu pesquisas sobre movimentos sociais, participação política, cultura urbana, organizações populares, sociedade civil, juventude, cidadania e políticas públicas. Entre 1985 e 1995, figurou como pesquisadora sênior da instituição, embora sua colaboração com o centro fosse anterior.[3][10]
A interdisciplinaridade do Cebrap aproximou antropologia, sociologia, ciência política, economia e demografia. Esse ambiente favoreceu a formulação de uma abordagem que combinava pesquisa empírica, reflexão teórica e atenção aos processos políticos concretos da redemocratização brasileira.[8][9][10]
Docência e pesquisa no exterior
[editar | editar código]Ruth também ensinou ou realizou pesquisas no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Universidade Estadual de Campinas, na Universidade da Califórnia em Berkeley, na Universidade Columbia, na Universidade de Nova Iorque, na Universidade de Notre Dame e na Universidade Brown.[3][4][2]
Em 1988, realizou estudos de pós-doutorado na Universidade Columbia e na Universidade de Nova Iorque. Em 2004, foi pesquisadora visitante do John W. Kluge Center, da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, onde pesquisou aspectos sociopolíticos do Brasil contemporâneo.[3][13]
Também foi professora visitante no Thomas J. Watson Jr. Institute for International Studies, da Universidade Brown, onde tratou de sociedade civil, democratização e políticas públicas no Brasil.[3][16]
Formação de pesquisadores
[editar | editar código]Ruth orientou trabalhos de mestrado e doutorado em antropologia, ciência política e áreas afins. Entre seus orientandos e alunos estiveram pesquisadores que se tornaram referências nas ciências sociais brasileiras, como Gilberto Velho, Giralda Seyferth, Ligia Sigaud, Guita Grin Debert, José Guilherme Cantor Magnani, Teresa Pires do Rio Caldeira, Mariza Corrêa, Maria Filomena Gregori, Regina Novaes, Helena Sampaio e Simone de Castro Tavares Coelho.[3][25][8]
A Fundação Fernando Henrique Cardoso caracteriza seu legado como transversal, associado à formação de pessoas na academia, nas políticas sociais e em organizações da sociedade civil. A exposição virtual “Ruth Cardoso, formadora” destaca sua atuação como orientadora, professora, pesquisadora e articuladora institucional.[25][14]
Ao lado de Eunice Durham, Ruth contribuiu para a consolidação da antropologia urbana no Brasil. A orientação de pesquisas sobre favelas, periferias, movimentos sociais, juventude, feminismo, violência e participação popular ajudou a ampliar o campo da antropologia brasileira para além dos estudos clássicos sobre sociedades indígenas e comunidades rurais.[27][28][25]
Obra intelectual
[editar | editar código]Imigração japonesa e mobilidade social
[editar | editar código]Os primeiros trabalhos de Ruth abordaram a imigração japonesa em São Paulo. Em vez de interpretar a aculturação como simples abandono de tradições, ela analisou as mediações produzidas por associações juvenis, famílias, redes comunitárias e instituições educacionais.[18][20][21]
Sua pesquisa sobre japoneses no Estado de São Paulo articulou família, mobilidade social e estratégias de inserção na sociedade brasileira. A passagem de atividades agrícolas para profissões urbanas, o papel da escolarização e as relações entre gerações aparecem como dimensões centrais de seus estudos.[20][21][23]
José de Souza Martins observou que a obra de Ruth evidenciava atenção às “armadilhas do método” e à necessidade de captar o social sem reduzir os atores a categorias rígidas. Para Martins, sua pesquisa combinava sensibilidade empírica e crítica metodológica.[19]
Antropologia urbana
[editar | editar código]A partir das décadas de 1970 e 1980, Ruth voltou-se crescentemente ao estudo das sociedades urbanas, das periferias, dos movimentos sociais e das novas formas de organização coletiva. Seu trabalho contribuiu para consolidar a cidade como objeto da antropologia brasileira.[27][28][8]
No documentário Narradores Urbanos, Ruth narrou aspectos de sua trajetória intelectual e da formação do campo de estudos da cultura urbana no Brasil. A série destaca sua presença entre os pesquisadores que aproximaram etnografia, vida urbana e análise política.[28][29]
A antropologia urbana de Ruth recusava tanto o culturalismo simplificador quanto leituras exclusivamente estruturais. Sua atenção se voltava para as redes, mediações, identidades, conflitos e práticas cotidianas que organizavam a vida coletiva nas cidades.[8][10][28]
Metodologia e pesquisa de campo
[editar | editar código]Em 1986, Ruth organizou o livro A aventura antropológica: teoria e pesquisa, obra voltada à reflexão metodológica sobre o trabalho de campo e a produção do conhecimento antropológico. A publicação tornou-se referência em cursos de antropologia e metodologia de pesquisa.[30][31]
No ensaio “Aventuras de antropólogos em campo ou como escapar das armadilhas do método”, discutiu a relação entre pesquisador e pesquisado, a necessidade de evitar fórmulas rígidas e a importância de confrontar os dados de campo com interpretações teóricas.[32][19]
Sua perspectiva metodológica valorizava o rigor qualitativo, mas rejeitava a ilusão de neutralidade absoluta ou de transparência imediata do campo. O trabalho antropológico, para Ruth, exigia escuta, comparação, crítica e atenção às relações de poder presentes na própria produção da pesquisa.[32][8]
Movimentos sociais
[editar | editar código]Ruth é uma das principais referências brasileiras no estudo dos movimentos sociais urbanos. Em “Movimentos sociais urbanos: balanço crítico”, publicado originalmente na década de 1980, analisou criticamente a literatura sobre movimentos populares, associações de bairro e formas de mobilização urbana.[33][10]
Ao contrário de interpretações que tratavam os movimentos sociais como expressão direta de classes sociais previamente definidas, Ruth examinou como identidades, demandas e repertórios de ação eram produzidos nas relações entre moradores, lideranças, partidos, igrejas, técnicos, organizações não governamentais e agentes públicos.[33][10][8]
Em 1987, publicou “Movimentos sociais na América Latina”, na Revista Brasileira de Ciências Sociais. O texto analisou a emergência de novos atores coletivos em sociedades latino-americanas marcadas por autoritarismo, transição democrática, urbanização e desigualdade.[34][10]
Em “Isso é política? Dilemas da participação entre o moderno e o pós-moderno”, publicado em 1988 em Novos Estudos Cebrap, Ruth discutiu a ampliação dos discursos de participação no contexto da redemocratização e da Assembleia Constituinte.[35][10]
Em “Participação política e democracia”, publicado em 1990, analisou perplexidades e expectativas políticas após a eleição presidencial de 1989, discutindo os limites e possibilidades da democracia brasileira recém-restabelecida.[36][37]
Lavalle e Szwako interpretam essas intervenções como parte de uma antropologia política voltada à análise das relações entre participação, institucionalização e sociedade civil. Para eles, Ruth recusou tanto a visão idealizada da sociedade civil quanto sua redução a instrumento do Estado.[10][38]
Sociedade civil e terceiro setor
[editar | editar código]Ruth investigou a expansão das organizações não governamentais e a transformação das formas de ação coletiva durante a redemocratização. Sua reflexão sobre sociedade civil combinava valorização da autonomia social com defesa da responsabilidade pública do Estado.[39][40]
No debate sobre o terceiro setor, defendia a complementaridade entre Estado, mercado e sociedade civil, mas não a substituição das políticas públicas universais por ações filantrópicas descontínuas. Essa distinção foi importante para a concepção que depois orientou a Comunidade Solidária.[39][6][41]
Em entrevista à Revista de Administração de Empresas, Ruth tratou de temas como sociedade civil, organizações, empreendedorismo social, participação e responsabilidade pública, reafirmando a necessidade de pensar políticas sociais para além do assistencialismo tradicional.[40]
Feminismo, mulheres e juventude
[editar | editar código]Ruth participou de iniciativas relacionadas aos direitos das mulheres e à institucionalização de políticas de gênero. Integrou a Frente de Mulheres Feministas, o Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e o Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP.[3][8]
Seu feminismo foi descrito por contemporâneos como prático, não dogmático e vinculado à autonomia intelectual e profissional das mulheres. Além de pesquisar temas de gênero, orientou estudos sobre violência contra a mulher, feminismo, trabalho e cidadania.[8][9][16]
Ruth também se dedicou à juventude como objeto de estudo e de ação pública. Publicou, com Helena Sampaio, Bibliografia sobre a juventude, e defendeu a necessidade de compreender os jovens não apenas como problema social, mas como sujeitos de direitos, cultura e participação.[42][8]
Atuação cívica antes da Presidência
[editar | editar código]Antes de se tornar primeira-dama, Ruth já participava de organizações e iniciativas voltadas à cidadania, à educação e à ação comunitária. Em 1981, esteve entre os fundadores do Centro de Estudos e Documentação para Ação Comunitária, vinculado a práticas de educação, mobilização e desenvolvimento social.[3][10]
Seu percurso combinava pesquisa e ação pública. O interesse acadêmico por movimentos sociais, periferias urbanas, conselhos, associações e organizações não governamentais a aproximou de experiências concretas de intervenção social.[8][25]
Essa experiência anterior explica parte de sua atuação como primeira-dama. Ao chegar ao Palácio do Planalto, Ruth não partiu de uma tradição assistencialista, mas de uma reflexão acumulada sobre participação, sociedade civil, políticas públicas e redes institucionais.[6][17]
Primeira-dama do Brasil
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Ruth tornou-se primeira-dama do Brasil em 1.º de janeiro de 1995, com a posse de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República. O título de primeira-dama não corresponde a cargo constitucional ou administrativo, mas historicamente envolve funções simbólicas, protocolares e, em alguns governos, atuação em áreas sociais.[2][15]
Ruth demonstrava desconforto com a expressão “primeira-dama” e preferia ser reconhecida como pesquisadora e professora. Comentários e perfis biográficos registram que ela recusava a ideia de ocupar uma posição meramente decorativa ou assistencialista.[15][17][43]
Sua atuação pública concentrou-se na Comunidade Solidária. Embora também participasse de cerimônias oficiais, recepções diplomáticas e viagens presidenciais, seu principal papel foi a presidência do Conselho do programa.[2][5][44]
Comunidade Solidária
[editar | editar código]O Programa Comunidade Solidária foi instituído pelo Decreto n.º 1.366, de 12 de janeiro de 1995, vinculado à Presidência da República. Seu objetivo formal era coordenar ações governamentais voltadas ao atendimento da população sem meios de prover suas necessidades básicas, com prioridade para o combate à fome e à pobreza.[5][7]
A estrutura do programa combinava uma secretaria-executiva governamental e um conselho consultivo integrado por representantes do governo e da sociedade civil. Ruth presidiu o conselho, que deveria funcionar como espaço de interlocução, proposição e articulação de parcerias.[5][41][44]
A Comunidade Solidária surgiu no contexto de reorganização da política social federal. A Legião Brasileira de Assistência foi extinta pela Medida Provisória n.º 813, de 1.º de janeiro de 1995, e por atos administrativos do governo federal. A documentação legal atribui a extinção à reorganização administrativa do Poder Executivo, e não a uma decisão individual de Ruth Cardoso.[45][46][5]
Em 1996, Ruth, Augusto de Franco e Miguel Darcy de Oliveira elaboraram bases conceituais para a Comunidade Solidária. A proposta partia da ideia de que o Estado deveria continuar responsável pela garantia de direitos, mas poderia articular parcerias com organizações civis, empresas, universidades e comunidades.[6][47]
O programa promoveu “rodadas de interlocução”, encontros destinados a discutir temas como reforma agrária, infância, juventude, desenvolvimento local, voluntariado, marco legal das organizações sociais e fortalecimento da sociedade civil.[6][1][41]
Em 1999, o Decreto n.º 2.999 reorganizou a estrutura do programa e reafirmou o Conselho da Comunidade Solidária no âmbito da Casa Civil da Presidência da República.[48][7]
Programas vinculados e associados
[editar | editar código]A Comunidade Solidária estimulou a criação de programas e organizações juridicamente autônomas, entre eles a Universidade Solidária, a Capacitação Solidária, a Alfabetização Solidária, o Artesanato Solidário, a Rede Jovem e iniciativas de desenvolvimento local.[6][25][49]
A Universidade Solidária, criada em 1995, mobilizava estudantes e professores universitários para atividades em comunidades de baixa renda, especialmente em municípios do interior. O projeto foi comparado por Fernando Henrique Cardoso ao antigo Projeto Rondon, por envolver universitários em ações cívicas e educacionais.[49][6]
A Capacitação Solidária tinha como foco a formação profissional e social de jovens, com apoio de organizações não governamentais selecionadas por projetos. Em intervenção no Senado, Ruth afirmou que o programa buscava apoiar jovens que enfrentavam problemas graves e recebiam pouca atenção das políticas tradicionais.[44][6]
A Alfabetização Solidária foi criada em 1996 e estruturada por meio de parcerias entre universidades, municípios, empresas e organizações sociais para ações de alfabetização de jovens e adultos. O programa recebeu reconhecimento internacional, incluindo prêmio de alfabetização da Unesco em 2004.[50][51][52]
O Artesanato Solidário, criado em 1998, apoiou comunidades artesãs, valorização de saberes tradicionais e geração de renda. Posteriormente, a iniciativa deu origem à Artesol, organização voltada à preservação e promoção do artesanato brasileiro.[53][6]
A Comunidade Ativa foi lançada em 1999 como estratégia de desenvolvimento local e descentralização de ações federais. Segundo noticiário da época, Ruth Cardoso, presidente do Conselho da Comunidade Solidária, e Milton Seligman apresentaram o programa ao presidente Fernando Henrique Cardoso.[54][55]
Avaliações da Comunidade Solidária
[editar | editar código]A Comunidade Solidária recebeu avaliações divergentes. Estudos do Ipea reconheceram sua inovação institucional e sua tentativa de articular governo e sociedade civil, mas também apontaram dificuldades de coordenação, focalização e integração entre políticas setoriais.[7][56]
Thais Helena de Alcântara Peres interpretou o programa como uma tentativa de formular outro modelo de política social, baseado em parcerias, interlocução e fortalecimento da sociedade civil, mas observou as tensões desse desenho diante das responsabilidades clássicas do Estado.[41]
Análises críticas relacionaram a Comunidade Solidária à reforma do Estado nos anos 1990 e ao risco de terceirização ou fragmentação da política social. Gladys Barreyro analisou a Alfabetização Solidária como parte de um processo de publicização e terceirização de ações educacionais, embora reconhecendo a complexidade do arranjo institucional.[51][57]
Outros estudos enfatizaram que a Comunidade Solidária procurava superar o assistencialismo tradicional associado às primeiras-damas, substituindo-o por redes de cooperação, diagnósticos territoriais e programas de experimentação social.[6][41][44]
A literatura também registra limites operacionais: dependência de lideranças locais, dificuldades de acompanhamento de resultados, desigualdades entre municípios, fragilidade de algumas redes de implementação e problemas de continuidade depois do término do governo federal.[56][7][51]
Relação com políticas de transferência de renda
[editar | editar código]A Comunidade Solidária não foi, institucionalmente, um programa de transferência direta de renda. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, programas como Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil eram executados por diferentes órgãos federais.[6][58]
O Bolsa Família foi criado em 2003 e regulamentado em 2004, já no governo Luiz Inácio Lula da Silva, pela Lei n.º 10.836. Assim, não é correto atribuir a Ruth Cardoso a criação direta do programa.[58][6]
O legado de Ruth para políticas sociais posteriores deve ser compreendido de forma mais precisa: sua atuação influenciou debates sobre parceria, focalização, participação social, redes institucionais, avaliação e articulação entre Estado e sociedade civil, sem que isso signifique autoria direta de todos os programas posteriores de transferência de renda.[6][17][7]
Posições públicas
[editar | editar código]Ruth manteve posições públicas consideradas avançadas para o contexto político dos anos 1990. Em 1996, defendeu a descriminalização da maconha em entrevista ao programa Programa Livre, argumentando que o tratamento penal do consumo dificultava políticas mais racionais de prevenção e saúde pública.[59][43]
Em 1997, apoiou a regulamentação do atendimento hospitalar nos casos de aborto já permitidos pela legislação brasileira, como gravidez resultante de estupro ou risco de vida para a gestante. A declaração gerou forte reação de setores religiosos, especialmente durante a visita do papa João Paulo II ao Brasil.[60][61][62]
Essas posições refletiam sua trajetória acadêmica e feminista, bem como sua defesa de políticas públicas baseadas em direitos, evidências e atendimento às populações mais vulneráveis.[8][9][4]
Atuação internacional
[editar | editar código]Como primeira-dama e presidente do Conselho da Comunidade Solidária, Ruth participou de conferências e encontros internacionais sobre pobreza, mulher, desenvolvimento, sociedade civil e voluntariado. Em 1995, esteve na Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, em Pequim, e em 2000 chefiou a delegação brasileira à sessão especial das Nações Unidas que avaliou os cinco anos da Plataforma de Ação de Pequim.[3][4]
Entre 1997 e 2008, integrou a diretoria da United Nations Foundation. De 2001 a 2003, participou da Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização, criada pela Organização Internacional do Trabalho. Em 2003, foi indicada pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento para presidir um conselho dedicado às relações entre mulheres e desenvolvimento.[3][12]
Em 2000, recebeu nos Estados Unidos a medalha Eleanor Roosevelt Val-Kill, em Hyde Park, Nova York, pelo trabalho da Comunidade Solidária. Na ocasião, afirmou que o mérito do prêmio era da iniciativa coletiva, e não pessoal.[63][3]
Sua circulação internacional contribuiu para divulgar experiências brasileiras de cooperação entre Estado e sociedade civil e para conectar a agenda nacional a debates globais sobre desenvolvimento local, voluntariado, terceiro setor e responsabilidade social.[3][6][12]
Atividades protocolares
[editar | editar código]Embora procurasse evitar uma atuação meramente cerimonial, Ruth participou de recepções oficiais e viagens de Estado ao lado de Fernando Henrique Cardoso. Em 1998, esteve em eventos relacionados à visita de Nelson Mandela ao Brasil, e em 1999 participou de recepções à rainha Margarida II da Dinamarca e à família real dinamarquesa.[64][65][66]
Esses episódios, embora façam parte de sua agenda como primeira-dama, são secundários em comparação com sua atuação acadêmica e institucional. Em uma organização enciclopédica equilibrada, devem aparecer como contexto, não como núcleo explicativo de sua biografia.[2][17]
Comunitas e últimos anos
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Em 2000, Ruth participou da criação da Comunitas — Parcerias para o Desenvolvimento Solidário, organização da sociedade civil concebida para dar continuidade a experiências da Comunidade Solidária e promover parcerias para o desenvolvimento social.[11][6]
Após o término do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2003, Ruth retomou com maior intensidade atividades acadêmicas, conferências, conselhos e debates sobre sociedade civil, educação, juventude, políticas sociais e terceiro setor.[2][3][40]
Em 2004, foi pesquisadora visitante no John W. Kluge Center, da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, e professora visitante na Universidade Brown. Também participou da Associação Fulbright no Brasil e de programas internacionais de intercâmbio acadêmico.[13][67][68]
A criação de programas acadêmicos com seu nome, como o Dr. Ruth Cardoso Program for Fellowships in Anthropology and Sociology, mantido por FAPESP, Capes e Comissão Fulbright, evidencia o reconhecimento de sua contribuição à formação de pesquisadores nas ciências humanas e sociais.[67][68]
Morte
[editar | editar código]Ruth Cardoso morreu na noite de 24 de junho de 2008, aos 77 anos, em sua residência em São Paulo, após problemas cardíacos. Ela havia recebido alta hospitalar pouco antes, depois de realizar exames e tratamento no Hospital Sírio-Libanês.[69][70][71]
Seu velório foi realizado na Sala São Paulo e reuniu familiares, amigos, intelectuais, pesquisadores, representantes de organizações sociais e autoridades de diferentes partidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareceu ao velório, e diversas instituições divulgaram notas de pesar.[69][70][72]
A morte teve repercussão internacional. Obituários publicados no exterior destacaram sua trajetória como antropóloga, primeira-dama e reformadora social.[73][74][75]
Legado
[editar | editar código]Legado acadêmico
[editar | editar código]O legado acadêmico de Ruth Cardoso está associado à ampliação dos objetos da antropologia brasileira, ao estudo de sociedades complexas, à consolidação da antropologia urbana e à análise das relações entre movimentos sociais, sociedade civil e instituições políticas.[8][9][10]
Seus trabalhos sobre imigração japonesa permanecem relevantes por articularem família, geração, mobilidade social e mudança cultural. Sua produção sobre movimentos sociais influenciou pesquisas sobre associações de bairro, organizações populares, movimentos feministas, juventude, violência urbana, cidadania e participação.[18][21][33][34]
Gilberto Velho destacou que o trabalho de Ruth esteve sempre associado a preocupações com políticas públicas e com a compreensão de fenômenos sociais contemporâneos. Guita Debert, Maria Filomena Gregori e Simone Coelho enfatizaram sua capacidade de formular problemas de pesquisa inovadores e de formar pesquisadores.[9][8]
Lavalle e Szwako situaram sua contribuição no campo da antropologia política, destacando sua análise das passagens entre movimentos sociais, participação e institucionalização. Para esses autores, Ruth ofereceu instrumentos conceituais para compreender a complexidade da sociedade civil brasileira.[10][38]
Legado como primeira-dama
[editar | editar código]Como primeira-dama, Ruth contribuiu para redefinir o papel público da esposa do presidente no Brasil. Ao evitar o assistencialismo tradicional e presidir um conselho voltado à articulação entre Estado e sociedade, buscou conferir densidade técnica e institucional a uma função historicamente marcada por simbolismo e personalismo.[17][43][6]
A Comunidade Solidária é lembrada por seus defensores como uma experiência inovadora de parceria, desenvolvimento local e fortalecimento da sociedade civil. Críticos, por outro lado, apontam riscos de fragmentação, terceirização e focalização excessiva das políticas sociais.[7][41][57][51]
Independentemente das interpretações, a experiência ocupa lugar relevante na história das políticas sociais brasileiras dos anos 1990 e no debate sobre relações entre Estado, organizações não governamentais, universidades, empresas e comunidades.[56][6][44]
Memória e homenagens
[editar | editar código]Após sua morte, Ruth recebeu homenagens de instituições acadêmicas, sociais e públicas. Seu nome foi atribuído a escolas, auditórios, programas de bolsas, espaços públicos e iniciativas vinculadas à educação e à pesquisa.[1][67][68]
Em 2009, Margarida Cintra Gordinho publicou Livro de Ruth, perfil elaborado a partir de entrevistas e depoimentos de familiares, amigos, alunos e colaboradores. Em 2010, Ignácio de Loyola Brandão publicou Ruth Cardoso: fragmentos de uma vida, biografia acompanhada por posfácio de Manuel Castells.[15][17]
Em 2011, Teresa Pires do Rio Caldeira organizou Ruth Cardoso: obra reunida, volume que reuniu textos sobre imigração, cidades, movimentos sociais, mulheres, democracia, sociedade civil e políticas públicas.[76][10]
A Fundação Fernando Henrique Cardoso preserva o Arquivo Ruth Cardoso, com documentação familiar, acadêmica e política. O acervo reúne correspondências, fotografias, relatórios, discursos, textos, publicações, registros da Comunidade Solidária e documentos sobre homenagens posteriores.[1][14]
Obras selecionadas
[editar | editar código]A produção de Ruth Cardoso inclui livros, artigos, capítulos, relatórios de pesquisa, entrevistas, conferências e textos de intervenção pública. Entre suas principais obras estão:[3][76]
- CARDOSO, Ruth Corrêa Leite. “O papel das associações juvenis na aculturação dos japoneses”. Revista de Antropologia, 1959.[18]
- CARDOSO, Ruth Corrêa Leite. “O agricultor e o profissional liberal entre os japoneses no Brasil”. Revista de Antropologia, 1963.[20]
- CARDOSO, Ruth Corrêa Leite. Estrutura familiar e mobilidade social: estudo dos japoneses no Estado de São Paulo. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, 1972.[21]
- CARDOSO, Ruth. “Movimentos sociais urbanos: balanço crítico”. In: SORJ, Bernardo; ALMEIDA, Maria Hermínia Tavares de, orgs. Sociedade e política no Brasil pós-64. São Paulo: Brasiliense, 1984.[33]
- CARDOSO, Ruth Corrêa Leite. “Movimentos sociais na América Latina”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 1987.[34]
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- CARDOSO, Ruth. “Participação política e democracia”. Novos Estudos Cebrap, n.º 26, 1990.[36]
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- CARDOSO, Ruth; SAMPAIO, Helena. Bibliografia sobre a juventude. São Paulo: Edusp, 1995.[42]
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- CARDOSO, Ruth. “Aventuras de antropólogos em campo ou como escapar das armadilhas do método”.[32]
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- CARDOSO, Ruth. Ruth Cardoso: obra reunida. Organização de Teresa Pires do Rio Caldeira. São Paulo: Mameluco, 2011.[76]
Entrevistas e depoimentos
[editar | editar código]Ruth concedeu entrevistas relevantes para a compreensão de sua trajetória intelectual. Em 1998, foi entrevistada por Alessandra El Far, Carlos Machado Dias Junior, Edgar Teodoro da Cunha, Fraya Frehse e Ronaldo de Almeida para Cadernos de Campo, publicação do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP.[78]
Em 2006, participou de entrevista publicada na Revista de Administração de Empresas, discutindo sociedade civil, políticas sociais, organizações e desenvolvimento.[40]
Também aparecem em seu currículo entrevistas publicadas por jornais e revistas, nas quais abordou temas como alfabetização, controle de organizações sociais, ação social, responsabilidade empresarial e política municipal.[3][79]
Prêmios, títulos e condecorações
[editar | editar código]Ao longo de sua trajetória, Ruth recebeu condecorações brasileiras e estrangeiras, títulos honoríficos e prêmios relacionados à produção científica e à atuação social. Entre as principais distinções registradas em seu currículo estão:[80]
- Grã-Cruz da Ordem do Mérito do Chile, em 1995;
- Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito da França, em 1996;
- distinção da Ordem da Coroa Preciosa, do Japão, em 1996;
- Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica, da Espanha, em 1998;
- Medalha Ceres da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em 1998;
- Eleanor Roosevelt Val-Kill Medal, nos Estados Unidos, em 2000;
- Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, de Portugal, em 2000;
- Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2004;
- Medalha Roquette-Pinto de Contribuição à Antropologia Brasileira, concedida pela Associação Brasileira de Antropologia, em 2006.[63]
Em 2009, recebeu homenagem póstuma no Congresso Nacional, ocasião em que Fernando Henrique Cardoso destacou sua prática de selecionar pessoas competentes para desenvolver programas sociais e sua capacidade de combinar ideias inovadoras com implementação institucional.[49]
Representações na cultura
[editar | editar código]Ruth Cardoso foi representada em obras audiovisuais sobre o período do Plano Real e do governo Fernando Henrique Cardoso. No filme Real: O Plano por Trás da História, de 2017, foi interpretada pela atriz Anamaria Barreto.[81]
Sua figura também aparece em reportagens, exposições virtuais, documentários e publicações sobre primeiras-damas brasileiras, terceiro setor, políticas sociais e história das ciências sociais no Brasil.[25][28][43]
Ver também
[editar | editar código]Notas e referências
Notas
- ↑ Na grafia original, anterior ao Formulário Ortográfico de 1943 e mantida ao longo de sua vida, Ruth Corrêa Leite Cardoso.
Referências
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Bibliografia
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- VELHO, Gilberto. “Ruth Corrêa Leite Cardoso”. Dados — Revista de Ciências Sociais, 2008.
- RESENDE, Luis Fernando de Lara. Comunidade Solidária: uma alternativa aos fundos sociais. Brasília: Ipea, 2000.
- PERES, Thais Helena de Alcântara. “Comunidade Solidária: a proposta de um outro modelo para as políticas sociais”. Civitas — Revista de Ciências Sociais, 2005.
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- BARREYRO, Gladys Beatriz. “O Programa Alfabetização Solidária: terceirização no contexto da reforma do Estado”. Educar em Revista, 2010.
- MARTINS, José de Souza. “A captação do social e as armadilhas do método: aprendendo com Ruth Cardoso e seu jeito de ser”. Análise Social, 2017.
Ligações externas
[editar | editar código]- Biografia de Ruth Cardoso — Fundação Fernando Henrique Cardoso
- Curriculum-vitae de Ruth Cardoso
- Exposição virtual “Ruth Cardoso, formadora”
- Tese de doutorado de Ruth Cardoso — Repositório USP
- “O papel das associações juvenis na aculturação dos japoneses”
- Entrevista com Ruth Cardoso — Cadernos de Campo
- Perfil acadêmico na Revista Brasileira de Ciências Sociais
- Artigo sobre a antropologia política de Ruth Cardoso
- Perfil na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos
- Dr. Ruth Cardoso Program for Fellowships in Anthropology and Sociology
- Categoria Ruth Cardoso no Wikimedia Commons
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